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Nintendo diz que 68% dos pais não se sentem totalmente informados sobre os jogos dos filhos

Uma pesquisa encomendada pela Nintendo no Reino Unido revelou que 68% dos pais tomam decisões sobre os videogames dos filhos sem se sentirem totalmente informados. A empresa lançou um guia para ajudar as famílias a compreender melhor os jogos, configurar controles parentais e lidar com preocupações sobre o tempo de tela.

Por Sebastian Castellanos | 27 out de 2026 às 13:42 | ⏱️ 7 min de leitura

A Nintendo do Reino Unido lançou um novo guia voltado aos pais que têm dúvidas sobre os videogames consumidos pelos filhos. A iniciativa acompanha uma pesquisa que aponta uma dificuldade comum entre as famílias: compreender os jogos, suas terminologias e os riscos associados às atividades online.

Segundo os dados divulgados, 68% dos pais entrevistados afirmaram tomar decisões sobre os jogos dos filhos sem sempre se sentirem suficientemente informados. O levantamento também indica que muitos responsáveis dependem das próprias crianças para entender assuntos relacionados ao universo dos games, o que pode dificultar decisões sobre limites, segurança e conteúdo apropriado.

A iniciativa busca aproximar os pais desse universo, oferecendo orientações para que possam acompanhar a rotina de jogos das crianças com mais conhecimento e confiança.

Pesquisa aponta que videogames são o interesse mais difícil de compreender

O levantamento também revelou que os videogames são a atividade dos filhos que os pais entrevistados mais têm dificuldade para compreender. Para 28% dos responsáveis, os jogos são o interesse sobre o qual possuem menos conhecimento, superando o consumo de vídeos online, citado por 16%, as redes sociais, com 15%, e os esportes, com 10%.

A dificuldade não está necessariamente relacionada à falta de interesse dos pais, mas à velocidade com que os jogos e as plataformas digitais evoluem. Termos específicos, partidas multiplayer, comunidades online e sistemas de compras dentro dos jogos podem tornar o acompanhamento mais complicado para quem não está familiarizado com esse ambiente.

De acordo com a pesquisa, 71% dos entrevistados dependem dos próprios filhos para explicar termos, tendências e questões relacionadas aos videogames. Além disso, 34% afirmaram que compreender melhor os hábitos de jogo das crianças os ajudaria a tomar decisões com mais segurança.

Os números reforçam a importância de oferecer informações acessíveis aos responsáveis, permitindo que eles compreendam o que as crianças fazem durante as partidas e quais recursos estão disponíveis para acompanhar essas atividades.

Tempo de tela e segurança online preocupam os pais

Entre as principais preocupações identificadas pela pesquisa, o tempo gasto diante das telas aparece em primeiro lugar. Cerca de 35% dos pais demonstraram preocupação com a quantidade de tempo que os filhos passam jogando.

Outras questões também chamaram a atenção dos entrevistados:

28% estão preocupados com a exposição a conteúdos inadequados para a idade das crianças.

25% demonstram preocupação com as pessoas com quem os filhos conversam durante as partidas.

Essas preocupações envolvem aspectos diferentes da experiência com videogames. O tempo de jogo está relacionado à rotina familiar, ao sono e às demais atividades diárias, enquanto o conteúdo e as interações online exigem atenção às classificações indicativas, às opções de comunicação e às ferramentas de segurança disponíveis.

A pesquisa também mostrou quais informações os pais gostariam de receber para lidar melhor com essas situações. Para 37% dos entrevistados, orientações sobre como administrar o tempo de tela seriam úteis. Outros 32% gostariam de aprender a configurar os controles parentais, enquanto 30% querem compreender melhor o conteúdo dos jogos.

Além disso, 24% afirmaram ter pouco conhecimento sobre os próprios recursos de controle parental.

Nintendo lança guia gratuito para orientar as famílias

Para responder às dificuldades identificadas, a Nintendo do Reino Unido apresentou o Parent’s Guide to Gaming with Confidence, um guia gratuito desenvolvido em colaboração com a Family Gaming Database, iniciativa especializada em informações sobre jogos para famílias.

O material aborda assuntos como classificação indicativa, escolha de jogos adequados para diferentes idades, segurança online, gerenciamento do tempo de jogo e configuração de controles parentais.

A proposta é ajudar os responsáveis a tomar decisões com base em informações concretas, em vez de depender apenas de impressões ou de explicações dadas pelas próprias crianças.

O guia também procura apresentar uma visão equilibrada dos videogames. Embora existam preocupações legítimas sobre segurança e hábitos digitais, os jogos podem oferecer oportunidades de criatividade, resolução de problemas, cooperação e convivência familiar.

A iniciativa foi elaborada com a participação de especialistas em jogos para famílias e profissionais que discutem o relacionamento entre crianças, tecnologia e entretenimento. O objetivo é tornar mais simples a compreensão de experiências que podem variar bastante de um jogo para outro.

O material foi disponibilizado gratuitamente em formato PDF e é direcionado inicialmente ao público britânico. Seu conteúdo, porém, pode ser útil também para famílias brasileiras interessadas em acompanhar melhor os hábitos digitais dos filhos.

O que os dados significam para os jogadores?

Os resultados indicam que a falta de familiaridade com videogames pode dificultar o diálogo entre pais e filhos. Sem conhecer os jogos, seus sistemas de comunicação e suas classificações, os responsáveis podem ter mais dificuldade para estabelecer limites adequados ou avaliar se determinada experiência é apropriada.

Por outro lado, compreender melhor esse universo não significa que os pais precisem jogar regularmente ou conhecer todos os lançamentos. Familiarizar-se com os títulos preferidos das crianças, conversar sobre as partidas e aprender a utilizar as ferramentas de segurança já pode ajudar na tomada de decisões.

Também é importante considerar que nem todos os jogos apresentam as mesmas características. Uma experiência individual voltada a quebra-cabeças é bastante diferente de um título multiplayer com comunicação por voz, compras internas e interação com desconhecidos.

Por isso, conhecer cada jogo e suas funcionalidades é mais útil do que tratar todos os videogames como se oferecessem os mesmos riscos.

Conclusão

A pesquisa encomendada pela Nintendo mostra uma dificuldade real entre os pais britânicos: acompanhar um universo digital que muda rapidamente e exige conhecimentos específicos. Os números não significam que 68% dos responsáveis desconheçam completamente os jogos dos filhos, mas que muitos tomam decisões sem se sentirem plenamente informados.

Com o novo guia, a empresa busca facilitar o acesso a orientações sobre segurança, classificação indicativa e controles parentais. Para as famílias, o principal benefício pode estar em transformar preocupações em conversas mais informadas, com limites claros e maior compreensão sobre o papel dos videogames na rotina das crianças.

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