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Don't Nod, de Life is Strange e Vampyr, enfrenta risco de insolvência e pode demitir 85 funcionários

A Don't Nod, estúdio francês responsável por Life is Strange, Vampyr e Banishers: Ghosts of New Eden, entrou em um processo judicial de recuperação financeira em meio a dificuldades econômicas. A empresa também planeja uma reestruturação que pode eliminar até 85 postos de trabalho na França, enquanto o futuro de seu próximo jogo, conhecido pelo codinome P14, gera preocupação.

Por Sebastian Castellanos | 28 out de 2026 às 21:40 | ⏱️ 6 min de leitura

A Don't Nod, conhecida por seus jogos focados em narrativa e escolhas dos jogadores, atravessa uma de suas fases mais delicadas. Em outubro de 2026, a desenvolvedora confirmou a abertura de um procedimento judicial de proteção financeira na França, buscando manter suas atividades enquanto procura uma solução de financiamento sustentável.

A situação preocupa tanto os funcionários quanto os jogadores que acompanham os próximos projetos do estúdio. Embora o procedimento não signifique uma declaração de falência, os resultados financeiros e os cortes planejados indicam que a empresa precisa superar obstáculos importantes para garantir sua continuidade.

Recuperação financeira não significa falência imediata

Em comunicado divulgado em 20 de outubro, a Don't Nod informou que o Tribunal de Atividades Econômicas de Paris autorizou a abertura de um procedimento de sauvegarde, mecanismo jurídico francês destinado a ajudar empresas com dificuldades financeiras a reorganizar suas obrigações e preservar suas operações.

A decisão, tomada em 19 de outubro, estabeleceu um período inicial de observação de seis meses. Durante esse intervalo, a empresa poderá trabalhar em alternativas para sua situação financeira, enquanto determinadas dívidas anteriores à decisão ficam suspensas conforme as regras do procedimento.

A própria desenvolvedora reconheceu que sua posição de caixa não permite assegurar adequadamente todas as necessidades de financiamento de suas operações e projetos.

Portanto, embora a manchete sobre o risco de falência reflita a gravidade do cenário, é importante distinguir a situação atual de uma liquidação definitiva. A recuperação judicial busca justamente criar condições para evitar esse desfecho, mas não garante que a tentativa será bem-sucedida.

Até 85 funcionários podem perder seus empregos

A reestruturação anunciada pela empresa em 1º de setembro prevê uma redução de até 85 postos de trabalho na França. A medida faz parte de uma estratégia para adaptar a estrutura do estúdio a um mercado em que o financiamento de novos jogos se tornou mais difícil.

Segundo informações divulgadas pelo sindicato dos trabalhadores de videogames STJV, os cortes atingiriam diversas áreas essenciais da produção, incluindo programação, arte de personagens, criação de cenários, design de níveis, áudio e testes de qualidade.

A situação é especialmente preocupante porque, conforme os relatos sindicais, a equipe restante precisaria assumir responsabilidades anteriormente distribuídas entre vários profissionais. A administração pretende recorrer mais a empresas terceirizadas para continuar o desenvolvimento de seu próximo projeto.

O sindicato, entretanto, questiona se essa estrutura será suficiente para concluir o jogo. Também critica as condições previstas para os funcionários afetados, afirmando que a administração não pretende oferecer um programa de desligamento voluntário.

Essas informações refletem as alegações dos representantes dos trabalhadores e não devem ser confundidas com uma decisão definitiva sobre o futuro de cada funcionário.

O que acontecerá com o próximo jogo da Don't Nod?

O projeto mais diretamente afetado é conhecido internamente como P14. A Don't Nod pretende continuar seu desenvolvimento apesar da redução da equipe, mas a mudança para um modelo mais dependente de terceirização levanta dúvidas sobre o cronograma e a capacidade de produção.

Até o momento, não há informações suficientes para afirmar que o jogo foi cancelado. Também não é possível confirmar uma data de lançamento ou avaliar como a reestruturação afetará sua qualidade final.

A empresa já havia iniciado um processo de transformação em 2024. A nova rodada de cortes demonstra que as medidas anteriores não foram suficientes para resolver todos os problemas financeiros.

Os números publicados pela própria desenvolvedora ajudam a dimensionar o cenário. No primeiro semestre de 2026, a Don't Nod registrou receita de 6,1 milhões de euros, uma queda de 14% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado operacional medido pelo EBITDA econômico também foi negativo, com prejuízo de 4,3 milhões de euros.

Esses resultados reforçam a necessidade de encontrar novas fontes de financiamento e reduzir custos para manter os projetos em andamento.

Uma fase decisiva para o estúdio francês

A Don't Nod ganhou reconhecimento internacional com o primeiro Life is Strange, lançado em episódios a partir de 2015. A combinação de narrativa emocional, escolhas e consequências ajudou a estabelecer a identidade criativa do estúdio.

Posteriormente, a desenvolvedora ampliou seu catálogo com experiências de outros gêneros, incluindo o RPG de ação Vampyr e a aventura Banishers: Ghosts of New Eden. Esse histórico, porém, não elimina os desafios financeiros enfrentados por empresas que precisam investir anos de trabalho em produções de videogames.

O momento atual também evidencia um problema maior da indústria: mesmo estúdios com franquias conhecidas podem enfrentar dificuldades para financiar projetos ambiciosos e manter equipes numerosas.

Conclusão

A Don't Nod está em uma situação financeira delicada, com um procedimento judicial de proteção em andamento e uma reestruturação que pode atingir até 85 funcionários na França. Entretanto, a empresa não declarou falência, e a recuperação financeira ainda busca preservar suas atividades.

Para os jogadores, a principal preocupação é o futuro de P14 e dos próximos lançamentos do estúdio. A continuidade do desenvolvimento foi indicada como objetivo, mas dependerá da capacidade de reorganizar a produção e encontrar financiamento suficiente.

Os próximos meses serão decisivos para determinar se a Don't Nod conseguirá superar a crise sem comprometer ainda mais sua capacidade de criar novos jogos.

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Postado por Sebastian Castellanos
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