Phantom Blade Zero quer conquistar o público ocidental sem abrir mão da cultura chinesa
A S-Game quer que Phantom Blade Zero conquiste jogadores do mundo inteiro sem exigir conhecimento prévio da cultura chinesa. Segundo o diretor Soulframe, cerca de 95% da experiência será construída em torno de emoções universais, como vingança, traição e fraternidade, enquanto as referências culturais mais profundas formarão o núcleo espiritual do jogo.

O mercado de games tem recebido cada vez mais produções chinesas com ambições internacionais. Depois de títulos como Black Myth: Wukong ganharem projeção mundial, outros estúdios do país buscam conquistar o público ocidental com propostas que combinam identidade cultural própria e experiências acessíveis a diferentes jogadores.
É nesse cenário que se encontra Phantom Blade Zero, RPG de ação desenvolvido pela S-Game e inspirado no gênero wuxia, tradicionalmente associado a histórias de guerreiros, artes marciais e conflitos entre espadachins. Em entrevista ao Insider Gaming, o diretor do projeto, conhecido como Soulframe, explicou como a equipe pretende equilibrar as raízes chinesas da aventura com uma narrativa compreensível para quem não está familiarizado com essas referências.
Phantom Blade Zero — imagem promocional Wanted
“Só queremos criar algo legal”
Após passar quase dez horas jogando Phantom Blade Zero, o jornalista do Insider Gaming relatou que não teve grandes dificuldades para compreender o universo e a história, apesar da forte influência cultural chinesa. Segundo Soulframe, esse resultado é consequência de uma preocupação que acompanha o desenvolvimento do jogo.
“Não queremos nada culturalmente pesado que funcione como um obstáculo para entender o mundo e a história”, explicou o diretor. A intenção, segundo ele, é oferecer uma experiência universal, na qual jogadores de diferentes origens consigam acompanhar a narrativa sem precisar conhecer previamente as tradições que inspiraram o cenário.
Soulframe citou Black Myth: Wukong como exemplo de uma produção cuja compreensão pode depender bastante do contexto cultural. Na avaliação do diretor, quem não possui esse conhecimento corre o risco de perder uma parte significativa do que os desenvolvedores pretendiam transmitir.
“Só queremos fazer algo legal e compreensível para todos, com essa história de vingança e companheiros de irmandade”, afirmou.
A proposta não é eliminar as referências chinesas, mas evitar que elas se tornem uma exigência para aproveitar a aventura. A S-Game quer que o público se conecte primeiro com os personagens e seus conflitos, descobrindo as particularidades culturais durante a jornada.
Hollywood e animes também influenciaram a equipe
Soulframe explicou que os próprios desenvolvedores da S-Game cresceram consumindo produções ocidentais e japonesas, especialmente filmes de Hollywood e animes. Essas influências ajudaram a moldar a visão do estúdio sobre como contar histórias capazes de ultrapassar fronteiras culturais.
Phantom Blade Zero — protagonista em cenário inspirado na China
Para a equipe, emoções humanas são um ponto de conexão mais imediato do que referências que exigem conhecimento prévio. Vingança, traição e fraternidade podem ser compreendidas por jogadores de diferentes países, mesmo quando os acontecimentos se desenrolam em um universo com tradições específicas.
“Não deixamos esses elementos culturais encobrirem as principais emoções humanas”, disse o diretor.
Essa filosofia também ajuda a definir o papel da ambientação. Em vez de funcionar como uma barreira para o público internacional, a cultura chinesa será responsável por dar personalidade e autenticidade ao mundo de Phantom Blade Zero. A narrativa, por sua vez, deverá manter os conflitos humanos no centro da experiência.
Diretor estima que 95% do jogo se apoiará em temas universais
Uma das declarações mais curiosas da entrevista envolve a proporção entre os elementos culturais mais profundos e os temas universais. Soulframe estima que aproximadamente 5% do jogo seja composto por referências culturais que exigem maior familiaridade com esse contexto, enquanto os outros 95% se concentram em experiências e emoções compreensíveis para um público amplo.
Phantom Blade Zero — combate contra inimigos em uma área pantanosa
Isso não significa que a cultura chinesa terá pouca importância. Pelo contrário: Soulframe descreveu essa pequena parcela como o núcleo espiritual da produção, conectando as referências culturais à história de vingança, traição e fraternidade que conduz a aventura.
O objetivo é encontrar um equilíbrio entre autenticidade e acessibilidade. A S-Game quer preservar as características que tornam Phantom Blade Zero diferente de outros RPGs de ação, mas sem exigir que os jogadores compreendam todas as referências para acompanhar a trama.
Essa abordagem também evita que a tentativa de alcançar o mercado internacional resulte em uma experiência genérica. As influências chinesas continuarão presentes na identidade do jogo, enquanto os conflitos e sentimentos dos personagens funcionarão como ponto de entrada para quem está conhecendo esse universo pela primeira vez.
Phantom Blade Zero busca espaço entre os grandes jogos de ação
O crescimento da presença chinesa no mercado internacional mostra que produções com fortes raízes culturais podem encontrar audiências muito além de seu país de origem. Black Myth: Wukong é um exemplo dessa expansão, enquanto Phantom Blade Zero aposta em uma combinação própria de artes marciais, combate acelerado e fantasia sombria.
A entrevista indica que a S-Game está atenta à maneira como jogadores ocidentais podem receber sua nova propriedade intelectual. Em vez de tratar as diferenças culturais como algo que precisa ser removido, o estúdio pretende usá-las para enriquecer o universo, sem deixar que elas impeçam a compreensão da história.
Phantom Blade Zero tem lançamento previsto para 29 de outubro de 2026, no PlayStation 5 e PC, conforme as informações oficiais divulgadas pela desenvolvedora e pela PlayStation. Resta saber se o equilíbrio descrito por Soulframe funcionará tão bem na versão completa quanto nas sessões de demonstração.
Se a proposta der certo, o jogo poderá apresentar o universo wuxia a um público ainda maior, mantendo suas particularidades culturais sem abrir mão de uma narrativa capaz de envolver jogadores de diferentes partes do mundo.
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