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Dune 2, um dos jogos mais importantes da história do PC, está preso em um complexo impasse de licenciamento

O clássico Dune 2: The Building of a Dynasty, lançado em 1992, pode continuar longe das lojas digitais por causa de uma disputa envolvendo Electronic Arts, Universal Pictures, Legendary Pictures e outros detentores de direitos. A própria GOG considera o jogo uma de suas maiores prioridades de preservação, mas admite que conseguir uma autorização para relançá-lo é muito mais complicado do que parece.

Por Sebastian Castellanos | 03 nov de 2026 às 13:25 | ⏱️ 9 min de leitura

Lançado originalmente em 1992 pela Westwood Studios, Dune 2: The Building of a Dynasty é considerado um dos títulos mais importantes da história dos jogos de estratégia para PC. Embora não tenha sido o primeiro jogo de estratégia em tempo real, sua estrutura ajudou a estabelecer diversas mecânicas que posteriormente se tornariam características fundamentais do gênero RTS.

Mais de três décadas depois, o jogo continua sendo uma referência histórica, mas permanece sem um relançamento oficial moderno. O motivo não está necessariamente relacionado a dificuldades técnicas ou à falta de interesse comercial, mas a uma complicada divisão dos direitos de propriedade intelectual.

Em uma entrevista ao GamesRadar, Marcin Paczynski, gerente sênior de desenvolvimento de negócios e parcerias da GOG, explicou por que a empresa ainda não conseguiu trazer o clássico de volta às lojas digitais.

Dune 2 possui direitos divididos entre várias empresas

O primeiro obstáculo está na diferença entre os direitos sobre o jogo e os direitos sobre o universo de Dune.

Segundo Paczynski, a Electronic Arts possui o código original, os arquivos gráficos, os recursos utilizados no desenvolvimento e os demais materiais relacionados ao jogo. Isso acontece porque a EA adquiriu a Westwood Studios em 1998.

Entretanto, possuir os arquivos e os direitos relacionados ao desenvolvimento não significa necessariamente controlar toda a propriedade intelectual utilizada na produção.

O problema é que Dune 2 não foi licenciado diretamente a partir dos livros de Frank Herbert. O jogo foi baseado na adaptação cinematográfica de Dune, lançada em 1984.

Essa diferença muda completamente a situação jurídica do projeto.

O filme foi produzido pela Universal Pictures, com participação importante de Dino De Laurentiis, que também manteve parte dos direitos relacionados à produção cinematográfica.

De Laurentiis faleceu em 2010, deixando outra questão para resolver: identificar e negociar com os sucessores responsáveis pela parcela dos direitos que ele mantinha.

Consequentemente, uma eventual negociação para relançar Dune 2 não dependeria apenas de uma autorização da Electronic Arts.

Universal, Legendary e o espólio de Dino De Laurentiis complicam o relançamento

A situação fica ainda mais complicada quando outros envolvidos na propriedade intelectual são considerados.

De acordo com Paczynski, existem diferentes partes que precisam ser consideradas em uma possível negociação:

Electronic Arts: possui o código, os arquivos, os recursos e os materiais originais do jogo.

Universal Pictures: está relacionada aos direitos da adaptação cinematográfica de 1984.

Sucessores de Dino De Laurentiis: mantêm uma parcela dos direitos associados ao produtor original do filme.

Herbert Foundation: está relacionada aos direitos da propriedade intelectual criada por Frank Herbert.

Legendary Pictures: possui os direitos relacionados às produções cinematográficas mais recentes de Dune.

Essa divisão transforma um relançamento aparentemente simples em uma negociação envolvendo diferentes empresas e responsáveis pelos direitos da franquia.

Mesmo que a EA estivesse interessada em disponibilizar novamente o jogo, isso não significaria que todas as outras autorizações necessárias estariam automaticamente resolvidas.

Dune: Awakening também pode representar um obstáculo

Outro elemento importante nessa história envolve a Legendary Pictures e a Funcom.

A Legendary possui os direitos relacionados aos filmes mais recentes de Dune e concedeu à Funcom uma licença para desenvolver jogos ambientados nesse universo. Um dos resultados dessa parceria é Dune: Awakening.

Segundo Paczynski, existe uma cláusula de exclusividade nesse acordo.

O representante da GOG, entretanto, explicou que ainda não está claro se essa exclusividade poderia interferir em um eventual relançamento dos jogos clássicos da Westwood.

Isso significa que nem mesmo a resolução das questões envolvendo EA, Universal e os sucessores de De Laurentiis necessariamente garantiria que Dune 2 pudesse voltar às lojas.

A situação também pode afetar outros jogos da franquia desenvolvidos pela Westwood, incluindo Dune 2000 e Emperor: Battle for Dune.

Por enquanto, não existe uma confirmação de que essas negociações tenham avançado para uma solução definitiva.

GOG considera Dune 2 uma prioridade de preservação

Apesar das dificuldades, a GOG não esconde o interesse em recuperar o clássico.

Paczynski afirmou que Dune 2 está entre seus objetivos pessoais mais importantes dentro do trabalho de preservação de jogos antigos. O executivo também revelou ter uma ligação nostálgica com o título.

Ele considera o projeto um dos grandes jogos que gostaria de trazer de volta ao catálogo da plataforma.

Entretanto, existe também uma questão financeira.

Durante a entrevista, Paczynski estimou que um eventual relançamento poderia vender aproximadamente 50 mil a 100 mil unidades, considerando um preço hipotético entre US$ 5,99 e US$ 9,99.

Esses números foram apresentados como uma estimativa ilustrativa, e não como uma previsão oficial de vendas ou preço anunciado.

O problema é que diversas empresas precisariam participar das negociações para viabilizar um produto relativamente barato e com um público potencialmente limitado.

Para a GOG, o esforço jurídico e comercial necessário pode acabar sendo desproporcional ao retorno financeiro esperado.

A importância histórica de Dune 2 para os jogos de estratégia

A ausência de um relançamento oficial é especialmente significativa porque Dune 2 ajudou a estabelecer as bases do gênero de estratégia em tempo real.

O jogo colocou os jogadores no comando de uma das três grandes casas de Arrakis: Atreides, Harkonnen ou Ordos.

Cada facção possuía características próprias, enquanto o objetivo principal envolvia administrar recursos, construir estruturas, produzir unidades militares e conquistar territórios.

Entre suas mecânicas mais importantes estavam:

Coleta de especiaria para financiar as operações militares.

Construção e gerenciamento de bases.

Produção de diferentes unidades de combate.

Controle de territórios e expansão militar.

Confrontos em tempo real contra forças adversárias.

Essas ideias ajudaram a influenciar diretamente produções posteriores, incluindo Warcraft e Command & Conquer.

A própria Westwood utilizaria muitos dos conceitos estabelecidos em Dune 2 para desenvolver sua conhecida franquia Command & Conquer.

Por isso, o jogo não representa apenas uma adaptação de uma franquia de ficção científica. Ele também ocupa um lugar importante na evolução dos jogos de computador.

Projetos de fãs acabam sendo uma alternativa

Enquanto as negociações oficiais permanecem complicadas, projetos independentes e iniciativas da comunidade continuam desempenhando um papel importante na preservação de jogos antigos.

Modificações, ferramentas de compatibilidade e projetos desenvolvidos por fãs podem ajudar a manter títulos clássicos acessíveis mesmo quando não existe uma versão comercial moderna.

A diferença é que iniciativas comunitárias geralmente não precisam organizar uma negociação comercial envolvendo todos os responsáveis pelos direitos de distribuição de um relançamento oficial.

Isso não significa que todos esses projetos estejam automaticamente livres de questões relacionadas a direitos autorais, mas demonstra como a comunidade pode contribuir para manter jogos históricos vivos.

Para Dune 2, entretanto, ainda existe uma diferença importante entre conseguir executar o jogo por meios alternativos e receber uma versão oficialmente distribuída, preparada e preservada para computadores modernos.

Conclusão

A situação de Dune 2 demonstra um dos maiores desafios da preservação de videogames: um jogo pode continuar sendo importante para a história da indústria e, mesmo assim, permanecer indisponível comercialmente por causa da fragmentação dos direitos envolvidos.

A GOG demonstra interesse em recuperar o clássico, e a declaração de Marcin Paczynski deixa claro que a empresa reconhece sua importância histórica.

Entretanto, enquanto não houver um acordo entre os diferentes responsáveis pela propriedade intelectual, não existe garantia de que o jogo receberá uma nova versão para PC.

O cenário também serve de alerta para outros títulos antigos baseados em filmes, séries e franquias licenciadas. Em muitos casos, preservar um jogo não depende apenas de recuperar seus arquivos originais, mas de conseguir autorização de todas as partes envolvidas.

Para os fãs de estratégia, o retorno de Dune 2 seria uma oportunidade de apresentar uma das obras mais influentes do gênero a uma nova geração de jogadores. Por enquanto, porém, Arrakis continua esperando.

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Postado por Sebastian Castellanos
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