Review clássico - Mega Man X - O clássico que reinventou Mega Man
Mega Man X reinventou a fórmula clássica da Capcom com Dash, Wall Jump, exploração e upgrades permanentes. Seus controles extremamente precisos, ótimo level design, Mavericks memoráveis e excelente progressão fazem com que o clássico do Super Nintendo continue fantástico décadas depois.

Poucos jogos conseguem atravessar mais de três décadas e continuar tão agradáveis de controlar quanto Mega Man X. O título levou a fórmula estabelecida pela série clássica para uma nova direção, mantendo elementos como seleção livre de fases e armas adquiridas dos chefes, mas introduzindo uma ambientação mais madura e combates mais rápidos. É justamente assim que a própria Capcom resume a evolução trazida pela série X.

Um novo herói para uma nova era
Mega Man X se passa cerca de 100 anos depois dos acontecimentos da série Mega Man original. X é uma criação do Dr. Light e acaba envolvido no conflito contra os Mavericks.
Uma das melhores decisões do jogo acontece logo na introdução.
X não começa como um herói imbatível.
Quando encontra Vile, simplesmente não possui força suficiente para derrotá-lo. Zero precisa entrar em cena e salvar o protagonista.

O encontro com Vile estabelece logo no começo que X ainda possui muito espaço para evoluir.
Essa cena funciona perfeitamente porque antecipa aquilo que o jogador fará durante toda a aventura.
Encontrar upgrades.
Conseguir novas armas.
Aumentar sua energia.
Aprender novas técnicas.
E, principalmente, ficar melhor controlando X.
A evolução do personagem acontece ao mesmo tempo que a evolução do jogador.
Wall Jump muda completamente Mega Man
A estrutura ainda parece familiar nos primeiros minutos. Temos salto, X-Buster, tiros carregados e inimigos espalhados pelas plataformas.
Mas X consegue interagir com as paredes de uma maneira completamente diferente dos protagonistas da série clássica.
Ele pode deslizar e saltar delas.
O Wall Jump parece uma adição simples, porém muda completamente o level design. Agora os desenvolvedores podem criar áreas muito mais verticais, esconder itens acima do campo de visão e permitir que o jogador se recupere de saltos aparentemente perdidos.
É uma daquelas mecânicas que parecem tão naturais atualmente que é fácil esquecer o impacto que tiveram na identidade de Mega Man X.
Depois entra o Dash.
E aí tudo se encaixa.
Dash + salto permite cobrir distâncias muito maiores. Wall Jump + Dash aumenta ainda mais a velocidade. Com alguma prática, X atravessa salas inteiras sem praticamente interromper o movimento.
É simplesmente gostoso de controlar.
Chill Penguin e o nascimento do Dash
Depois da introdução, podemos enfrentar os oito Mavericks em diferentes ordens.
Uma das escolhas mais naturais para começar é Chill Penguin.

Neve, cavernas congeladas e novos inimigos dão ao estágio de Chill Penguin uma identidade própria.
O estágio também possui enorme importância para a movimentação de X porque é nele que encontramos o upgrade das pernas associado ao Dash. A própria estrutura da fase praticamente conduz o jogador até essa melhoria.
Isso é excelente design.
Em vez de mostrar uma caixa de texto dizendo "agora você precisa aprender Dash", Mega Man X coloca a habilidade dentro da própria exploração.
O jogador recebe o movimento e imediatamente começa a experimentar.
As cápsulas do Dr. Light
As melhorias não param por aí.
Espalhadas pelos estágios existem cápsulas deixadas pelo Dr. Light que concedem upgrades permanentes.

Encontrar uma cápsula do Dr. Light significa que X está prestes a ganhar uma nova melhoria.
Essa progressão funciona especialmente bem porque é visual.
X não ganha simplesmente "+10 de alguma estatística".
Sua armadura muda.
Seu personagem parece mais poderoso.
E novas possibilidades são abertas durante a aventura.
É um sistema simples, mas extremamente recompensador.
Heart Tanks e Sub Tanks recompensam a exploração
Mega Man X também incentiva o jogador a investigar os cenários em busca de melhorias opcionais.
Os Heart Tanks aumentam a resistência de X, enquanto os Sub Tanks funcionam como reservas de energia para situações complicadas.

Os Sub Tanks recompensam jogadores que exploram caminhos fora da rota principal.
Isso cria uma relação interessante entre exploração e dificuldade.
Quem procura os itens chega aos confrontos finais muito mais preparado.
Quem simplesmente corre até o final das fases terá menos recursos.
O jogo não precisa mostrar uma tela perguntando:
Fácil, normal ou difícil?
Parte dessa dificuldade é determinada pela própria maneira como você joga.
E existe o Hadouken
Talvez nenhum segredo represente melhor a personalidade de Mega Man X que o Hadouken.
Sim.
O Hadouken de Street Fighter.

Uma das cápsulas secretas mais famosas dos jogos 16-bit.
O golpe exige condições especiais para ser obtido e aparece como uma recompensa completamente opcional para quem decidiu explorar praticamente tudo.
Hoje basta pesquisar um vídeo e descobrir o segredo em segundos.
Na década de 1990, algo assim poderia facilmente virar uma lenda entre jogadores.
"Tem Hadouken no Mega Man."
Parecia mentira.
Mas não era.
Os Mavericks deram uma nova identidade à série
Os Robot Masters sempre foram fundamentais na franquia original, mas Mega Man X conseguiu estabelecer imediatamente uma personalidade diferente com seus Mavericks.
Chill Penguin - Flame Mammoth - Sting Chameleon - Launch Octopus - Armored Armadillo - Boomer Kuwanger - Spark Mandrill - Storm Eagle.
Cada um possui um estilo visual e um padrão de batalha próprio.
O sistema tradicional de fraquezas também permanece. Derrotar um Maverick fornece uma arma que pode ser especialmente eficiente contra outro.
É extremamente divertido descobrir a ordem.
Por outro lado, esse também é um dos poucos problemas do jogo.
Depois que você conhece todas as fraquezas, determinados chefes deixam de representar grande perigo.

Essa tela de seleção de chefes é muito nostálgica!
Storm Eagle mostra Mega Man X no seu melhor
Se existe um estágio perfeito para demonstrar por que as novas habilidades de X funcionam tão bem, é Storm Eagle.

A fase possui uma sensação constante de subida.
Plataformas se movimentam no ar, inimigos aparecem em posições perigosas e o jogador precisa utilizar sua mobilidade para avançar.
É também um ótimo exemplo de narrativa através do cenário.
Você começa em instalações que lembram um aeroporto e progressivamente sobe até chegar à enorme aeronave onde o Maverick espera.
E então começa a batalha.

Storm Eagle continua sendo um dos confrontos mais memoráveis do primeiro Mega Man X.
Storm Eagle utiliza mergulhos, projéteis e fortes rajadas de vento.
Não é necessariamente o chefe mais complicado da campanha, mas a combinação entre música, cenário e movimentação faz desse confronto um dos momentos mais marcantes do jogo.
Pixel art que envelheceu muito bem
Mega Man X continua bonito.
Não apenas por nostalgia.
Existe uma clareza visual excelente.
X possui animações facilmente reconhecíveis para correr, saltar, utilizar Dash, carregar o Buster e sofrer dano.
Os Mavericks têm silhuetas distintas.
Projéteis geralmente se destacam do cenário.
Para um jogo de ação baseado em reflexos, isso é fundamental.
Você olha para a tela e entende rapidamente o que está acontecendo.
E a trilha sonora...
É impossível analisar Mega Man X sem mencionar sua música.
A trilha possui uma pegada mais agressiva e combina perfeitamente com o ritmo da aventura.
Storm Eagle, Spark Mandrill, Armored Armadillo e vários outros estágios possuem temas que ficam facilmente na memória.
Existe uma combinação quase perfeita entre música e movimentação.
Quando você domina Dash e Wall Jump e começa a atravessar as fases rapidamente, Mega Man X entra em um ritmo fantástico.
Zero rouba a cena
Zero ainda não possui aqui o protagonismo que ganharia posteriormente, mas sua presença já é importantíssima.
No início, ele representa aquilo que X ainda pretende alcançar.
Zero é confiante.
Experiente.
Poderoso.
Enquanto X ainda está aprendendo.
Essa diferença entre os dois dá mais peso à progressão do protagonista.
Quando chegamos às fases finais, aquele X completamente vulnerável da introdução praticamente desapareceu.
A fortaleza de Sigma
Depois dos oito Mavericks, chegamos à reta final.
E é aqui que o jogo começa a cobrar tudo aquilo que ensinou.
Wall Jump.
Dash.
Armas especiais.
Upgrades.
Sub Tanks.
Precisão.

Os estágios de Sigma colocam à prova as habilidades adquiridas durante a campanha.
É também nessa parte que a progressão fica mais evidente.
Compare o X da introdução com aquele que chegou até aqui.
Mais energia.
Mais habilidades.
Novas armas.
Armadura aprimorada.
Reservas de energia.
Mas a maior mudança está do outro lado da tela.
Você aprendeu a jogar Mega Man X.
Esse é um dos grandes triunfos do jogo.
A evolução do protagonista acompanha a habilidade adquirida pelo jogador.
Sigma e o confronto final
Finalmente chegamos ao responsável pela revolta Maverick.
O confronto final funciona como a conclusão natural da aventura.

Quem explorou bastante chega preparado.
Quem ignorou Heart Tanks, Sub Tanks e outras melhorias terá um trabalho consideravelmente maior.
Isso reforça novamente a importância da exploração sem obrigar o jogador a encontrar absolutamente tudo.
Jogabilidade praticamente atemporal
Talvez o maior elogio possível a Mega Man X seja muito simples:
ele ainda é extremamente gostoso de jogar.
O controle responde rapidamente.
Wall Jump funciona como esperamos.
Dash é preciso.
O X-Buster possui um excelente ritmo.
Quando erramos um salto, normalmente sabemos exatamente o que fizemos errado.
Quando conseguimos executar perfeitamente uma sequência de Dash Jump, Wall Jump e tiro carregado, existe uma sensação genuína de domínio.
Poucos jogos dessa época precisam de tão poucas desculpas para serem apreciados hoje.
Nem tudo é perfeito
Mega Man X possui alguns defeitos.
A campanha pode parecer relativamente curta quando já conhecemos as fases.
O sistema de fraquezas consegue trivializar determinados Mavericks.
E existem momentos em que a versão original do Super Nintendo sofre com quedas de desempenho.
Mas são problemas pequenos diante da qualidade do conjunto.
Principalmente porque aquilo que realmente importa — movimentação, combate e level design — continua funcionando extremamente bem.
Mega Man X ainda vale a pena?
Muito.
Não estamos falando de um clássico que merece ser jogado apenas porque foi importante para a história dos videogames.
Mega Man X ainda é simplesmente divertido.
A própria Capcom continua apresentando como pilares do título justamente a seleção de estágios, armas dos chefes, história mais madura e ação mais rápida que o diferenciaram da série original.
É perfeitamente possível apresentar Mega Man X atualmente para alguém que nunca teve um Super Nintendo e a pessoa simplesmente gostar do jogo pelo que ele é.
Não apenas pelo que ele representa.
Veredito
Mega Man X é um exemplo de como modernizar uma franquia sem abandonar aquilo que a tornou especial.
A Capcom preservou elementos fundamentais de Mega Man e acrescentou velocidade, verticalidade, exploração e uma excelente sensação de evolução.
O resultado não parece simplesmente Mega Man no Super Nintendo.
Parece uma nova geração.
Dash e Wall Jump transformaram a movimentação. Os upgrades deram uma razão real para explorar. Os Mavericks estabeleceram uma nova identidade visual. E o level design conseguiu aproveitar praticamente todas essas novidades.
Mais de três décadas depois, Mega Man X continua sendo um dos melhores jogos de ação e plataforma 2D de sua geração e um dos grandes clássicos da Capcom.
Mega Man X reinventou a fórmula clássica da Capcom com Dash, Wall Jump, exploração e upgrades permanentes. Seus controles extremamente precisos, ótimo level design, Mavericks memoráveis e excelente progressão fazem com que o clássico do Super Nintendo continue fantástico décadas depois.
Veredito Final
Prós
- + Controles extremamente precisos
- + Dash e Wall Jump transformam a movimentação
- + Level design excelente
- + Exploração recompensadora
- + Mavericks memoráveis
- + Trilha sonora marcante
- + Ótima sensação de evolução
Contras
- - Campanha relativamente curta
- - Alguns chefes ficam fáceis demais usando suas fraquezas
- - Pequenas quedas de desempenho em situações mais carregadas
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