Desenvolvedor revela como funciona a retrocompatibilidade do Xbox no PC: "é emulação sobre emulação"
Poucas horas após a Microsoft lançar oficialmente a retrocompatibilidade do Xbox no PC, um desenvolvedor desmontou completamente um dos jogos disponibilizados e revelou detalhes inéditos sobre a tecnologia utilizada. Segundo ele, o sistema reutiliza o mesmo emulador presente nos consoles Xbox One e Xbox Series, mas adaptado para funcionar como um aplicativo nativo do Windows.

O anúncio da retrocompatibilidade do Xbox no PC foi uma das maiores novidades da Microsoft para os fãs da preservação de jogos. Agora, uma análise técnica publicada pelo desenvolvedor Milenko revelou detalhes de como essa tecnologia realmente funciona por trás dos bastidores.
Após desmontar completamente a versão para PC de Fuzion Frenzy, um dos quatro primeiros jogos disponibilizados no programa Xbox Backward Compatibility on PC, Milenko descobriu que a Microsoft praticamente transportou a mesma tecnologia utilizada nos consoles Xbox One e Xbox Series X|S para o Windows, empacotando tudo como um aplicativo moderno do sistema operacional.
Segundo ele, a solução é muito mais sofisticada do que simplesmente executar um emulador de Xbox.
XeO3 é o novo coração da retrocompatibilidade
O principal componente encontrado pelo pesquisador é um executável chamado XeO3.
O nome faz referência ao composto químico trióxido de xenônio (XeO₃), conhecido por sua instabilidade — uma brincadeira feita pelos próprios engenheiros da Microsoft, já que o Xbox 360 utilizava um processador chamado Xenon.
Na prática, o XeO3 é responsável por reproduzir diversos componentes do Xbox 360, incluindo:
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Processador PowerPC Xenon;
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Hipervisor do console;
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GPU Xenos;
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Conversão gráfica para Direct3D 12.
Segundo Milenko, trata-se basicamente do mesmo software utilizado na retrocompatibilidade do Xbox One e do Xbox Series, agora adaptado para funcionar como um aplicativo nativo do Windows 11.
Emulação dentro de outra emulação
A descoberta mais curiosa envolve justamente Fuzion Frenzy.
Como o jogo pertence ao Xbox original, ele não roda diretamente pelo XeO3.
Em vez disso, acontece uma cadeia de emulação.
O sistema funciona da seguinte forma:
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Windows executa o XeO3;
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XeO3 recria o ambiente do Xbox 360;
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Dentro dele é carregado o XEFU, responsável pela emulação do Xbox original;
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Só então o jogo começa a ser executado.
Segundo o pesquisador, isso significa que o Xbox original é emulado dentro de um ambiente que já está emulando um Xbox 360, tudo isso funcionando sobre o Windows.
Ele resumiu o processo com uma frase bastante curiosa:
"Emuladores até o fim."
Microsoft utiliza recompilação antecipada
Outro detalhe técnico interessante envolve a forma como o código dos jogos é executado.
Em vez de traduzir continuamente as instruções do processador PowerPC durante a execução, a Microsoft utiliza um sistema de Ahead-of-Time Recompilation (AOT).
Na prática, boa parte do código do jogo já chega previamente recompilada para processadores x86-64, reduzindo bastante a sobrecarga durante a emulação.
Segundo Milenko, diversos arquivos DLL presentes no pacote não armazenam dados comuns, mas sim trechos de código PowerPC já convertidos para código nativo de PCs modernos.
Disco original continua praticamente intacto
Ao analisar os arquivos do jogo, o pesquisador descobriu que a imagem original do disco permanece presente dentro do pacote.
No caso de Fuzion Frenzy, foi possível reconstruir completamente o conteúdo original do DVD do Xbox, incluindo cerca de 190 arquivos e aproximadamente 1,9 GB de dados.
Segundo ele, a estrutura permanece protegida por verificações de integridade (hashes), mas não utiliza criptografia para esconder o conteúdo.
A análise confirmou inclusive que o executável original do jogo permanece preservado.
O emulador chegou a funcionar no Mac
Talvez a descoberta mais surpreendente tenha ocorrido durante os testes em um Mac equipado com chip Apple M4.
Utilizando Wine e MoltenVK, Milenko conseguiu inicializar praticamente todo o ambiente do emulador.
O software reconheceu corretamente:
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GPU Apple M4;
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Backend gráfico;
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Tradução de Direct3D para Metal.
O processo só foi interrompido quando o aplicativo tentou acessar os Gaming Services do Windows, componente responsável pela infraestrutura do ecossistema Xbox.
Segundo ele, isso indica que boa parte da tecnologia já funciona fora do Windows, sendo limitada principalmente pelas verificações do ambiente da Microsoft.
Compatibilidade pode crescer rapidamente
A análise reforça uma expectativa que muitos fãs já possuíam após o anúncio da Microsoft.
Como a empresa está utilizando a mesma base tecnológica dos consoles Xbox One e Xbox Series, existe potencial para que um número muito maior de jogos seja disponibilizado futuramente.
O próprio pesquisador acredita que:
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Jogos do Xbox original podem ser adicionados;
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Jogos de Xbox 360 também podem chegar ao programa;
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A infraestrutura principal já está pronta.
Tudo dependerá, principalmente, do trabalho da Microsoft para adaptar cada título individualmente e resolver questões relacionadas a licenciamento.
Um grande avanço para a preservação dos jogos
A análise técnica mostra que a Microsoft investiu muito mais do que um simples "emulador de Xbox para PC".
A combinação entre recompilação antecipada, múltiplas camadas de emulação e integração com o ecossistema Xbox demonstra um nível de engenharia bastante sofisticado.
Para os jogadores, isso significa que clássicos do Xbox original e, futuramente, do Xbox 360 poderão ser preservados e executados em computadores modernos de maneira muito mais eficiente.
Embora o catálogo inicial ainda seja pequeno, a tecnologia descoberta por Milenko indica que a Microsoft criou uma base sólida para expandir significativamente a retrocompatibilidade no Windows nos próximos anos.
Fonte: Milenko (X/Twitter)
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