Criador de Ori critica Microsoft e diz que franquias não sobrevivem apenas trocando de estúdio
Thomas Mahler usou os rumores sobre Ori 3 para fazer uma crítica direta à estratégia de colocar propriedades importantes nas mãos de novas equipes, citando Halo como exemplo.

Thomas Mahler, CEO da Moon Studios e criador de Ori and the Blind Forest e Ori and the Will of the Wisps, aproveitou os recentes rumores sobre um possível Ori 3 para fazer uma crítica à forma como grandes empresas administram suas franquias.
Em publicação no X, o desenvolvedor afirmou que não sabe de nenhum novo Ori em desenvolvimento, mas foi além: questionou se simplesmente entregar uma propriedade intelectual para outro estúdio seria suficiente para manter aquilo que tornou a série especial.
Mahler usa Halo como exemplo
O principal alvo da crítica foi Halo.
Mahler argumentou que a Microsoft investiu enormes quantias na 343 Industries, hoje Halo Studios, para continuar a série depois da saída da Bungie, mas que isso não foi suficiente para reproduzir a mesma “magia” dos jogos originais.
Na visão dele, franquias não são definidas apenas por seus nomes, personagens ou marcas registradas.
O que realmente importa são as pessoas que construíram aquela identidade.
“Você precisa das pessoas certas”
A crítica de Mahler é justamente contra a ideia de que uma grande propriedade possa ser tratada como algo totalmente intercambiável entre equipes.
Segundo o diretor, colocar outro estúdio para trabalhar em Ori não significa automaticamente que o resultado terá a mesma qualidade, direção artística ou identidade dos dois jogos anteriores.
A fala ganhou repercussão justamente porque surgiram rumores de que uma nova equipe poderia assumir a franquia.
Mahler deixou claro que é bastante cético em relação a essa possibilidade.
Moon Studios já pensou em recomprar Ori
O desenvolvedor também revelou que a Moon Studios já discutiu internamente a possibilidade de comprar de volta os direitos de Ori da Microsoft.
Atualmente, a propriedade intelectual pertence à Microsoft, mesmo com os dois jogos tendo sido desenvolvidos pela Moon Studios.
Para Mahler, faria sentido que Ori retornasse para a equipe responsável por sua criação.
Crítica vai além de Ori
Embora a discussão tenha começado por causa de Ori 3, a declaração de Mahler toca em um problema maior da indústria.
Grandes editoras frequentemente mantêm controle sobre propriedades mesmo depois que suas equipes criativas originais deixam os projetos.
O resultado pode ser uma franquia que continua existindo comercialmente, mas muda completamente de identidade.
Na opinião de Mahler, esse risco aumenta quando empresas acreditam que uma propriedade pode simplesmente ser transferida de uma equipe para outra sem perder aquilo que a tornou especial.
Por enquanto, Ori 3 continua sem anúncio oficial.
Mas a mensagem do criador foi clara: uma franquia não é apenas uma marca — ela depende das pessoas que sabem como fazê-la funcionar.
Fonte: Thomas Mahler.
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